O verdadeiro objetivo

Algumas pessoas me perguntaram se este Ilustramangá é um blog sobre mangá ou Linux. Concordo que os últimos conteúdos foram dedicados a apresentações e dicas para o sistema operacional do pinguim, mas tudo tem um propósito.

O principal objetivo de falarmos tanto do Ubuntu (uma das opções de sistema operacional GNU/Linux) é somente indicar como opção para o desenvolvimento de ilustrações e quadrinhos: ele é gratuito e tem todos os recursos de que um artista digital precisa. Nem só de Photoshop vive o mundo da ilustração digital e é justamente isso que quero mostrar.

Muitos dos recursos “proprietários” (ou softwares pagos) trazem um custo que pode comprometer uma decisão de ingresso no mercado das artes gráficas. Enxergo o software livre como uma perfeita ferramenta capaz de suprir as necessidades dos artistas gráficos iniciantes e veteranos em todas as vertentes da área. Por isso, mais uma vez, incentivar o seu uso é o meu segundo ensinamento mais importante (o primeiro é o desenvolvimento da paciência). Em doze anos de profissão, os três últimos foram apoiados em ferramentas “opensource” e a experiência não me conferiu a carteira de xenófobo digital, como acontece com muitos profissionais apaixonados por tecnologia. Convivo com o Windows (não na minha máquina) diariamente e procuro conservar meus conhecimentos na manipulação dessa plataforma com o objetivo de sempre aprender com as diferenças e até implementar melhorias de um no outro. Mas não sinto necessidade alguma de voltar a usá-lo.

Também é importante esclarecer que os sistemas operacionais e programas opensource não são melhores pelo fato de serem “de graça”. Essa é a primeira constatação oriunda dos mais acomodados. Acontece que o GNU/Linux tem sua origem no Unix (Assim como os OS da Apple) e são tremendamente estáveis e poderosos. Para se ter uma pequena ideia acerca da segurança do sistema, a estrutura de um GNU/Linux é bastante diferente da estrutura Windows e traz um firewall dentro de seu “kernel” (o núcleo do sistema operacional), por exemplo. Não conheço a estrutura como um profissional de TI, mas o pouco que sei foi suficiente para atestar a superioridade do sistema. Isso, para um profissional da área de design, ilustração e edição, significa desempenho superior quando sob pressões de prazos e qualidade final. Perfeição total? Não. Também não é assim. Tudo no planeta tem sua falha. Só que nunca mais tive problemas com travamento de Coreldraw (original) no meio de uma vetorização de mapa, ou com os famosos “erros fatais” que trazem uma simpática tela azul de presente no meio da noite de trabalho para ser entregue pela manhã.

A aparência importa? SIM!! Claro que importa! Para nós que trabalhamos com criação viver num ambiente que inspire constantemente é o ideal para se obter o rendimento necessário. O já saudoso Steve Jobs provou isso inúmeras vezes. Para tanto o GNU/Linux leva a liberdade de escolha às últimas consequências permitindo que o usuário “desenhe” seu ambiente de trabalho da maneira que quiser e crie personalizações infinitas e (pasme) úteis. Isso sim é beleza e função a serviço do profissional. Isso é design.

Complicado de se acostumar? Nem tanto. Outro dia vi minha esposa quebrando a cabeça para se acostumar com o Windows 7 depois de anos em contato com o Win XP. Eu mesmo observei o Win 7 com bastante curiosidade e constatei que a tal adaptação é bem similar àquela que fui submetido ao mudar de Windows para Ubuntu (na época o 9.04). Isso fortaleceu a teoria de que a resistência de alguns profissionais em experimentar o GNU/Linux é comodismo com doses de preconceito.

E o tal “Terminal”? É completamente risível dizer que a interface gráfica é um recurso indispensável. Pensemos que há pessoas que conseguem digitar este texto sem olhar as teclas (não é o meu caso). Se isto é possível, também o uso de linhas de comando para dar ordens ao sistema deveria ser completamente viável. Digitar três linhas no Terminal (login, senha, comando) resolve problemas do tamanho de “clique aqui para instalar um controle do Active-X” mais “digite aqui a chave do produto obtida na compra”. Três linhas permitem que se instale programas gráficos robustos no GNU/Linux, bem como mover, remover, copiar, colar, habilitar, modificar, entre outras coisas. Digitar linhas de comando é mais fácil do que se pensa e menos dramático do que fazem parecer. Deixe de ser preguiçoso e digite seu nome e uma ordem ao sistema! O resto ele faz sozinho.

E isso é apenas uma pequena demonstração do que se pode fazer no ambiente GNU/Linux. Vamos experimentar as várias ferramentas de ilustração, pintura e desenho à exaustão e inclua nisso os sistemas e softwares opensource. Se você estiver realmente determinado a encarar sua profissão, não vai se arrepender.

Se você usa o Windows para produzir seus trabalhos de ilustração (e não quer abrir mão dele), seja bem-vindo. Este espaço foi criado para ajudar todos os artistas gráficos de todas as plataformas. Apenas peço que não se estapeiem por causa de janelas, pinguins ou maçãs. Ao invés disso enriqueçamos nossas bagagens com as várias experiências em sistemas diferentes.

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