Um Pangolin muito preciso

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Depois de muito bater cabeça para adaptar-me ao Ubuntu Oneiric Ocelot com as instabilidades dos efeitos gráficos e outros problemas pendentes de boas análises, eis que abril trouxe uma grande surpresa: o Ubuntu Precise Pangolin.

Já é tradicional meu aguardo de mais algumas semanas para baixar a versão “Studio” do Ubuntu, que sempre leva em torno desse prazo para ficar disponível.

A surpresa foi muito maior que eu esperava: o Ubuntu Studio Precise Pangolin estava disponível dois dias depois da versão original oficial, e não parou por aí. Não preparado para a surpresa, não dispunha de um dvd para gravação da imagem e fui buscar o tal aplicativo que permite a instalação através do pendrive. O medo iminente de isso ser um bicho de sete cabeças foi instalado no meu coração mais rápido que um “apt-get”.

A “frouxidão” foi dissipada nos primeiros minutos de observação do aplicativo UNetbootin (app que cria pendrives de instalação, chamados LiveUSB). Foi muito mais fácil criar um pendrive de boot do que queimar um dvd.

Ao colocar o pendrive no slot nova surpresa: ao invés de abrir um instalador, como era de costume nos meus dvds de instalação, foi iniciada uma sessão instantânea do novo Ubuntu. Não deu tempo nem de preparar o coração para o susto. O Ubuntu estava copletamente funcional na minha frente em menos de três minutos. Só levou o tempo do boot. Claro que essa era uma versão de “test-drive”. Perfeitamente possível trabalhar com ela, mas o ideal é deixá-la “assentar”definitivamente no HD para que o novo sistema faça uso de todos os recursos da máquina.

Então lá fui iniciar o instalador sem nem precisar reiniciar a máquina. Novo susto: depois de um particionamento muito simples, os programas foram tão rapidamente instalados que levei tempo para acreditar que o sistema tinha completado a instalação total.

Neste Ubuntu Studio 12.04 a escolha dos desenvolvedores em optar pela interface gráfica Xfce foi mantida e, aparentemente, aqui não há bugs com o Xfce. Estou tentando conter minha mania de “papagaiar” o desktop com efeitos demasiados e usufruir da velocidade que o Ubuntu oferece (e que meu antigo monocore permite).

Coloquei alguns aplicativos que não vêm com a versão e comecei a testar o poder do sistema.

Notavelmente mais rápido e estável que seu antecessor, o 11.10, Oneiric Ocelot. A interface gráfica Xfce confere uma simplicidade tão bem equilibrada que faz meu monocore parecer dualcore (e não estou brincando). Um dos pontos positivos do Linux é o fato de todas as versões serem suportadas, literalmente, pelas configurações mais modestas e antigas.

Os programas vieram com a maioria das bibliotecas completas. Me faltaram somente os pacotes Medibuntu, aqueles voltados para multimídia. Instalei mais rápido que uma anedota do Ary Toledo.

Um grande teste a que minhas instalações são submetidas é o “nível de saudades do Debian”. O “Linux mais legal con que já trabalhei”. Mesmo com toda a estabilidade e rapidez do querido Squeeze 6.0, insisto no Ubuntu que já me traz instantaneamente todas as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de qualquer trabalho. No Debian tudo tem que ser feito “na mão”, só que é uma grande diversão. Modificar, alterar, construir, compilar no Debian Squeeze é uma experiência gostosa do universo Linux. Dá orgulho ver cada comando retornando um resultado positivo. Você “constrói” as características do seu Debian e ele fica mesmo com o seu jeito, a sua cara. Ele me levou embora de vez a possibilidade de voltar ao Windows e ainda me fez gostar das então assustadoras linhas de comando.

Só que, infelizmente, não tenho tempo para diversão, e o Ubuntu é muito mais “automático”. Estudar e aprender mais sobre os sistemas Linux será uma dedicação constante e dosada para não atrapalhar minha profissão principal que é ilustrador e designer.

Sem pestanejar, esse parece ser o Ubuntu mais estável desde o 10.04 Lucid Linx (considerado por mim e por muitos de meus amigos e familiares o mais estável dos Ubuntu). Resta saber se consigo fazer meu Xfce ficar tão atraente quanto o Gnome. Tudo indica que sim. Já alterei as janelas para um bela moldura que me lembra muito o design do H. R. Giger. Quando tiver uma aparência definida posto umas fotos.

Por enquanto, tratem de experimentar esta versão Precise Pangolin do Ubuntu e aproveitem a superestabilidade garantida por um sólido suporte de atualizações técnicas até 2017. Padrão das versões nomeadas LTS (Long Term Suport).

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8 comentários em “Um Pangolin muito preciso

  1. Um ponto muito fraco do linux é a deficiência do suporte para mesas digitalizadoras. Tenho uma Wacom e não consigo usá-la em nenhuma distro! Já testei Lubuntu, Mint… e nada!

    Pra completar, uso internet discada: a conexão caía muito quando eu usava o Kurumin e tive que voltar ao Windows por conta disso.

    1. Amigo Rogério, acredito que está tendo problemas com o mesmo modelo de Wacom que tive. Há um modelo que não funciona no Linux “nem a pau”. Conversei com aluns técnicos que disseram ter conseguido instalar a mesa, mas à base de muitas linhas de comando. Tentei a receita deles mas não funcionou comigo. Aposentei este modelo. Gostaria de lembrar o nome, ou série, dela para saber se estamos falando da mesma mesa, mas já não está mais comigo. Atualmente, uso uma Wacom Bamboo (não lembro o modelo exato, mas não é a Pen) e a minha antiga Graphire, que continua funcionando a todo vapor. Com certeza, os maiores problemas de compatibilidade das Wacom são relacionados aos drivers. Na minha opinião pessoal, prefiro buscar informações sobre as mesas antes de comprar (até realizar “test-drives”, se possível) para escolher uma que funcione no meu Linux (atualmente Ubuntu Studio 12.04). Não voltaria ao Windows por causa da mesa.

      Sobre a internet, essa é uma questão realmente complicada. Não sei o que causa um ou outro problema e, menos ainda, o que soluciona. Dei muita sorte com a minha conexão discada na época. Também usava Kurumin e até achava que a discada melhorou e foi um dos fatores que até contribuiram para eu abandonar o Windows. Não sei o que pode estar acontecendo com o seu Kurumin. Umas dicas que podem ajudar a esclarecer:

      1- o Kurumin foi descontinuado há algum tempo. Procure usar o Ubuntu para navegar na discada.
      2- veja as especificações de seu provedor. Alguns oferecem péssimo suporte ao Linux. Na época eu usava o Orolix e mais um outro que já não me lembro. Hoje estou com a Velox.

      Enfim, se for de seu interesse usar o Linux para substituir o Windows, podemos buscar soluções aqui no meu blog e noutras comunidades. Elas existem. Também podemos tentar boas soluções para usá-lo em conjunto com o Windows, ou até mesmo emulá-lo dentro do Linux, para ter mais agilidade de uso (evitando o dual boot, que requer sempre o reinício da máquina).

      Qualquer dúvida (porque elas persistirão) não deixe de escrever.

      Grande abraço!

  2. Não, esse modelo é novo, uma Wacom Bamboo Create CTH670L:
    http://www.atera.com.br/produto/CTH670L/Tablet+Wacom+Create+CTH670L+13.9+x+8.2+polegadas

    Acredito que ele não funcione no linux por causa de um programa chamado Adobe Air. O “Bamboo Dock” diz que esse Adobe Air “é necessário para o funcionamento da mesa”… mas eu não vejo aonde! rsrsrs

    Sobre o Kurumin eu o usava na época em que tinha uma mesa da Aiptek, pois era uma das poucas distros que dava suporte… se bem que o Kurumin só reconhecia a mesa como mouse USB.

    Como eu disse, abandonei o Kurumin por já estar defasado demais. Venho tentando retornar ao linux e pensei que seria mais fácil tendo a Wacom, porém até agora não tive sorte.

    E por questões econômicas, não posso pagar provedor nem banda larga, no momento, talvez no futuro.

    Bom, paciência, vou tentando aos poucos, pode ser que ache uma distro que suporte a Wacom. Se bem que ache que com a da Ubuntu e derivadas não adianta…

    1. Pô, amigo Rogério… Confesso que fiquei até triste quando vi o modelo de sua Wacom. É uma das mais novas. Isso quer dizer muita coisa. Uma delas é a continuidade em empresas proprietárias em dificultar ainda mais a acessibilidade por parte dos usuários de outros sistemas.

      Agora há pouco fiz uma pesquisa sobre o modelo da sua mesa e fiquei menos apreensivo ao ler que a empresa Wacom está disponibilizando novos drivers para seus produtos rodarem tranquilamente no Linux. Mas, pelo que li, no site em inglês (e não sou bom em inglês), parece que os drivers estão sendo liberados gradativamente e não contemplam todos os modelos, por enquanto. Os desenvolvedores estão atualizando seus drivers baseados no novo kernel Linux e no controlador X.

      Pelo que vi, é uma notícia do início deste ano, portanto, seria óbvio que já haja um novo driver para os novos produtos (como sua mesa).

      Já é muito tarde e preciso acordar daqui a pouco para encarar a semana de trabalho, mas vou dar uma olhada com mais calma nos sites internacionais e tentar buscar uma solução para o seu problema. Que deve ser problema de muitos outros também.

      Grande abraço, nobre.

  3. Agradeço, mas não se preocupa, isso não tem pressa. Vou esperar mais um pouco. Até lá, preciso experimentar o Gimp novo (que baixei e ainda não tive tempo de instalar) e também dar uma mexida no MyPaint

    Aqui tem alguns testes meus no MyPaint:

    Acho que você trabalha com o Gimp, né? No final deste tópico tem uma lista dos meus tutoriais para o programa:
    http://www.gimp.com.br/smf/index.php?topic=8898.0

    Obrigado e até a próxima!

  4. Rogério, desculpe a longa ausência!

    Acredita que somente hoje, mais de um ano depois, consegui ver este seu último comentário sobre meu post do Precise Pangolin.

    Muito obrigado por prestigiar minhas opiniões sobre computação gráfica com Linux. Os tempos mudaram, minha profissão está exigindo muito mais de mim e tenho a valiosíssima experiência de que se estivesse trabalhando com Windows não teria chegado tão longe.

    Já não estou mais usando o Precise Pangolin em meu computador principal. Essa versão do Ubuntu ainda permanece no desktop do trabalho na Fundação onde ilustro livros didáticos, mas no meu estúdio, em casa, estou usando o Debian Wheezy num notebook Asus K45VM Core i7, e está dando de mil a zero em todos os Windows 7 e 8 dos colegas que trabalham em colaboração comigo.

    ADOREI seus tutoriais de Gimp!! Gostaria de te pedir permissão para fazer umas postagens sobre suas dicas.

    Estou envolvido com o Gnugraf. Você já ouviu falar? É um evento de computação gráfica opensource e este ano palestrarei pela segunda vez. Você mora no Rio? Se sim, que tal aparecer por lá? Este ano falarei sobre como se produz quadrinhos sob pressão.

    Grande abraço!

    1. Vi hoje esse e-mail falando de Pangolim… e me lembrei do seu blog! hehe Nesse meio tempo comprei uma Wacom Bamboo e testei umas distros, instaladas em um pendrive. Cheguei a instalar a Bodhi Linux no HD, porém a Wacom apresentou instabilidades e tive de remover a distro. No futuro, vou experimentar a Zorin (ou essa que você indicou…)

      Até lá, estou testando uns programas portáteis. Falando nisso, sabia que existe o MyPaint portátil? Eu instalei num pendrive, testei e ele funciona bem! Veja maiores detalhes aqui.

      Sim, você pode postar minhas e tutoriais, basta dar os créditos e tubo bem. Eu reupei meus tutoriais, (a maioria estava dando erro de link) Lista completa dos tutoriais, neste tópico.

      Gnugraf? Não… é primeira vez que ouço falar. Não moro no Rio. Quadrinhos sob pressão?! rsrsrs Quem trabalha com quadrinhos já vive sob pressão!

      1. Obrigado, Rogério.

        É, você sabe mesmo o que é viver do quadrinho. Estar sob pressão é o “default” de todo quadrinista e a gente nem sabe ver isso de outro jeito. Você teve que me lembrar que eu vivo desse jeito e nunca existiu uma tranquilidade durante o processo produtivo. É tudo no desespero, no nervosismo, dentro da tempestade.

        Vou começar a escrever meus tutoriais sobre quadrinhos (muitos serão reaproveitados no Gnugraf) e alternarei entre os seus, que serão devidamente creditados, claro.

        Sobre a Wacom, tive problemas com instabilidade com a Bamboo Pen (CTL-460) em quase todas as versões do Ubuntu Studio, e isso me fez reativar a minha antiga (já fora de linha) Wacom Graphire. Hoje, de volta ao meu querido Debian, gostaria de tentar fazer a Bamboo Pen funcionar, pois no Debian consigo fazer funcionar um monte de coisas que não conseguia no Ubuntu.

        O dia que você quiser passar pelo Rio, vamos combinar para bater um papo sobre Linux e computação gráfica.

        Grande abraço!!!

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