SOBRE O LINUX NÃO RODAR SOFTWARES “ESSENCIAIS”

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Tem uma lata de lixo aqui nas minhas Googladas diárias que dizem custar o preço de um carro popular zero quilômetro.

Era uma vez um Sami, que foi satisfazer o seu vício: ler comentários das pessoas. Eu sei que não deveria fazer isto em momento nenhum da minha vida. Minha produtividade cai, minha raiva das pessoas “entendedoras” aumenta, minha pressão sobe, minha glicose cai, a “vista” fica turva, a cabeça roda, sai fogo das ventas, nascem asas nas minhas costas e eu fico com 22 metros de altura.

O que eu já ouvi de gente que é o que consome não tá no gibi. Todo mundo é melhor porque TEM isso ou aquilo e quem NÃO TEM não sabe o que tá falando, ou nunca vai provar disso ou daquilo, logo classificado como inferior.

Uma boa sacada foi o videozinho que assisti onde o Super-Homem, o Aquaman e a Mulher Maravilha tiram sarro da cara do Batman por ele não ter superpoderes. Aí a gente (que leu os quadrinhos, não fica preso a seriezinhas e comentariozinhos de grupelhos de gente que se diz nerd) já entende de cara que o Batman NÃO PRECISA de superpoderes. A própria discussão dos personagens no vídeo soa com aquele tom adolescente (que quase tudo tem hoje em dia) onde as gírias vão de “tá ligado” até “mané alguma coisa”. Sério… O personagem que nos meus tempos tinha aquela seriedade que fazia você querer ser ele quando crescesse, agora fala com tom de novinho idiota.

Não eu não saí do assunto.

Acontece que esse exemplo é mais um dos que nos fazem notar mais um movimento comtemporâneo destrutivo: a IDIOTIZAÇÃO das coisas.

Aí você é um cara que tem uma tv de CRT (tubo de raios catódicos, tv de tubo, tv antiga, tv do vovô, como você quiser chamar…) e está passando o Jornal Nacional e o seu amigo tem uma tv de led (plana, retinha, grande, hdtv, 4K, como você quiser chamar…). Estão falando no telejornal que um meteoro colidirá com o planeta em duas horas. Me digam onde importa que você soube que vai morrer por um anúncio na tv de CRT ou na tv de led! Pior que tem gente que vai defender que foi muito melhor saber isso pela tv mais cara.

Como é que diz aquele meme chato pra KRLH que passa toda hora na tv e no WhatsApp (sinceramente não suporto. Desculpe se te excluí por mandar memes): “Tem vida mais barata, mas num presta não”.

Presta sim, gente.

Se você quer porque quer pagar mais caro porque você quer, tudo bem. Eu te defendo. Mas não me venha engrossar o coro dos que se colocam em outro patamar profissional porque usam um produto de determinada marca ou software tal que é melhor do que aquele outro.

O profissional é o CARA, não a ferramenta.

Mas a IDIOTIZAÇÃO prega que você TEM que TIRAR ONDA possuindo alguma coisa mais cara ou mais avançada do que o seu amiguinho do lado. Isso é a tal da OSTENTAÇÃO né? Pois é… Você aí com seus 25, 30, quase 40 anos na cara querendo aparecer mais que o seu coleguinha.

Gente que pergunta numa coletiva de criação de games, ou de design, com “que software você fez esse desenho”. Isso é, no mínimo, falta de educação. É gafe das mais feias. É diminuir o profissional que desenvolveu. É limitar a genialidade do cara à máquina ou ao software.

Já mostrei a dimensão do problema. Agora algumas respostas:

Li num comentário de Facebook (aquele que me deu ira suficiente para tecer esse post) onde uma profissional diz: “Windows só dá tela azul e Linux não roda os softwares ESSÊNCIAIS”. Meu sangue subiu e, por mais que prometesse, não consegui suportar e aqui vai minha resposta: VOCÊ NÃO PRECISA TER OS SOFTWARES ESSENCIAIS RODANDO NO LINUX. Os softwares nativos do sistema dão total conta do trabalho de qualquer magnitude com igual (ou melhor) desempenho aos tais “essenciais”.

Tenho provas. Tenho testemunhas. Apresento resultados.

E isso não é uma disputa. Vim em defesa dos profissionais por trás das ferramentas. Eles é quem são os essenciais nas obras que todos admiram.

Por mais que doa eu digo, repito e se quiserem digo presencialmente, porque rede social é só uma ferramenta e EU tenho boca pra falar: O PROFISSIONAL É O ESSENCIAL, NÃO O WINDOWS, NÃO O PHOTOSHOP, NÃO O MAC, NÃO O LINUX.

Bom dia, amores.

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2 comentários em “SOBRE O LINUX NÃO RODAR SOFTWARES “ESSENCIAIS”

  1. e o discurso do post acaba por nos atirar à falta de algumas funcionalidades do Gimp (CMYK), Inkscape (multipáginas), Fontforge (hinting), etc. – será que isto se passa devido à falta de estímulo a desenvolvedores (crowdfunding incluido)? fico a imaginar no que resultaria se cada um de nós doasse aos projrectos de software livre o valor que se costuma pagar por licença de uso de software proprietário equivalente – de qualquer maneira, o que precisamos é de nos juntar todos a sério, e inverter o cenário de forma em que o software “essencial” seja só o software livre, e nunca o proprietário 

    1. Eu concordo que precisamos juntar forças, Nitrofurano, para que as ferramentas sejam mais difundidas e a demanda aumente gerando mais e mais suporte e melhorias. De certa forma o dinheiro ajudaria e muito, mas você deve saber que não é o que move a cultura do software livre, onde o desenvolvimento colaborativo garante a adequação dos sistemas às situações a que são submetidos. Fazer a mesma coisa com software proprietário, por exemplo, nem sempre é tão prático e geralmente custoso ao final do cálculo de investimento. Parece piada mas usar Linux para uma tarefa de estúdio, na prática, significa ganho de tempo e muita economia para qualquer tarefa.

      Tem gente que acha que Linux serve apenas para servidores e eu aceitei o desafio proposto por meu irmão de testá-lo em “campo de batalha”, ou seja, para tarefas diárias do meu estúdio de design. Sinceramente pensei que minha demanda seria comprometida, por isso esperei o movimento estar tranquilo o suficiente para fazer os testes. Para minha surpresa, seguindo os conselhos do meu irmão e muitos outros amigos que nada tinham a ver com design, consegui a ferramenta que estava procurando para suprir lacunas que o software proprietária havia deixado em quesitos como estabilidade, velocidade e praticidade.

      Algum tempo depois de abandonar o “dual boot” conheci outros profissionais de peso no mercado que já usavam Linux e software livre para produzir alguns dos materiais que mais sucesso faziam na mídia para o meu espanto. Me apaixonei completamente pelas possibilidades que os sistemas me trouxeram. Hoje o fato do CMYK, das multipáginas e outros recursos presentes no software proprietário já foram solucionados com alguns processos simples. Claro que pessoas acostumadas a clicar num botão podem tecer inúmeras críticas aos tais processos que exigem uns cinco a oito cliques a mais, porém extremamente vantajosos quando o objetivo de entregar um trabalho de grande exigência técnica é totalmente garantido pela robustez e agilidade do sistema.

      Uma opinião muito pessoal: não gostaria que o software livre passasse a ser considerado essencial. Não quero que o Gimp chegue a ser tão mais necessário que o profissional que o controla. Ainda em algumas de minhas palestras as pessoas perguntam “com que software” foi feito aquele material lindo. Fico esperando alguém perguntar “como o cara conseguiu fazer” aquele material lindo sem citar o software. Nunca em tempo nenhum foi o Photoshop, o Corel, o InDesign, o Illustrator, o Blender, o 3DS Max os verdadeiros responsáveis por arte digital alguma no planeta. Foi uma pessoa. Foi um artista digital.

      O objetivo de minha postagem foi tentar desvencilhar artista e ferramenta. O primeiro é o grande responsável pela obra e também pela ferramenta. Prezo e defendo o software livre pelo fato de ele querer fazer parte da vida do artista sem desmerecê-lo, um efeito curioso causado por pessoas que enfrentam séria dependência dessas ferramentas.

      Grande abraço!!

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