Maratona de Software Livre de Volta Redonda

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Uma sequência de eventos me concederão o poder de comprovar que se pode trabalhar sem perda de qualidade usando Linux e seus programas de código aberto. O primeiro deles começa agora nesta sexta, dia 29, em Volta Redonda.

A Maratona de Software Livre é um evento que incentiva o uso das distribuições Linux em vários campos da tecnologia. Minha contribuição, por exemplo, será para a computação gráfica. No sábado, dia 30, ministrarei uma longa oficina sobre como se aplicam as ferramentas opensource no dia-a-dia de um estúdio de ilustração e design. Usarei em tempo real os programas Gimp, MyPaint, Inkscape e Scribus para várias tarefas rotineiras de estúdios que usam ferramentas proprietárias para executar as mesmas funções.

Os quatro programas que mencionei são ótimos softwares e minha missão é mostrar que têm poder e complexidade suficiente para praticamente aposentar as caras licenças Adobe, Microsoft e Corel.

As vagas para participação das várias oficinas são limitadas e quem quiser participar deve acessar o link do evento clicando na imagem acima.

Aguardo vocês lá.

Um Pangolin muito preciso

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Depois de muito bater cabeça para adaptar-me ao Ubuntu Oneiric Ocelot com as instabilidades dos efeitos gráficos e outros problemas pendentes de boas análises, eis que abril trouxe uma grande surpresa: o Ubuntu Precise Pangolin.

Já é tradicional meu aguardo de mais algumas semanas para baixar a versão “Studio” do Ubuntu, que sempre leva em torno desse prazo para ficar disponível.

A surpresa foi muito maior que eu esperava: o Ubuntu Studio Precise Pangolin estava disponível dois dias depois da versão original oficial, e não parou por aí. Não preparado para a surpresa, não dispunha de um dvd para gravação da imagem e fui buscar o tal aplicativo que permite a instalação através do pendrive. O medo iminente de isso ser um bicho de sete cabeças foi instalado no meu coração mais rápido que um “apt-get”.

A “frouxidão” foi dissipada nos primeiros minutos de observação do aplicativo UNetbootin (app que cria pendrives de instalação, chamados LiveUSB). Foi muito mais fácil criar um pendrive de boot do que queimar um dvd.

Ao colocar o pendrive no slot nova surpresa: ao invés de abrir um instalador, como era de costume nos meus dvds de instalação, foi iniciada uma sessão instantânea do novo Ubuntu. Não deu tempo nem de preparar o coração para o susto. O Ubuntu estava copletamente funcional na minha frente em menos de três minutos. Só levou o tempo do boot. Claro que essa era uma versão de “test-drive”. Perfeitamente possível trabalhar com ela, mas o ideal é deixá-la “assentar”definitivamente no HD para que o novo sistema faça uso de todos os recursos da máquina.

Então lá fui iniciar o instalador sem nem precisar reiniciar a máquina. Novo susto: depois de um particionamento muito simples, os programas foram tão rapidamente instalados que levei tempo para acreditar que o sistema tinha completado a instalação total.

Neste Ubuntu Studio 12.04 a escolha dos desenvolvedores em optar pela interface gráfica Xfce foi mantida e, aparentemente, aqui não há bugs com o Xfce. Estou tentando conter minha mania de “papagaiar” o desktop com efeitos demasiados e usufruir da velocidade que o Ubuntu oferece (e que meu antigo monocore permite).

Coloquei alguns aplicativos que não vêm com a versão e comecei a testar o poder do sistema.

Notavelmente mais rápido e estável que seu antecessor, o 11.10, Oneiric Ocelot. A interface gráfica Xfce confere uma simplicidade tão bem equilibrada que faz meu monocore parecer dualcore (e não estou brincando). Um dos pontos positivos do Linux é o fato de todas as versões serem suportadas, literalmente, pelas configurações mais modestas e antigas.

Os programas vieram com a maioria das bibliotecas completas. Me faltaram somente os pacotes Medibuntu, aqueles voltados para multimídia. Instalei mais rápido que uma anedota do Ary Toledo.

Um grande teste a que minhas instalações são submetidas é o “nível de saudades do Debian”. O “Linux mais legal con que já trabalhei”. Mesmo com toda a estabilidade e rapidez do querido Squeeze 6.0, insisto no Ubuntu que já me traz instantaneamente todas as ferramentas necessárias para o desenvolvimento de qualquer trabalho. No Debian tudo tem que ser feito “na mão”, só que é uma grande diversão. Modificar, alterar, construir, compilar no Debian Squeeze é uma experiência gostosa do universo Linux. Dá orgulho ver cada comando retornando um resultado positivo. Você “constrói” as características do seu Debian e ele fica mesmo com o seu jeito, a sua cara. Ele me levou embora de vez a possibilidade de voltar ao Windows e ainda me fez gostar das então assustadoras linhas de comando.

Só que, infelizmente, não tenho tempo para diversão, e o Ubuntu é muito mais “automático”. Estudar e aprender mais sobre os sistemas Linux será uma dedicação constante e dosada para não atrapalhar minha profissão principal que é ilustrador e designer.

Sem pestanejar, esse parece ser o Ubuntu mais estável desde o 10.04 Lucid Linx (considerado por mim e por muitos de meus amigos e familiares o mais estável dos Ubuntu). Resta saber se consigo fazer meu Xfce ficar tão atraente quanto o Gnome. Tudo indica que sim. Já alterei as janelas para um bela moldura que me lembra muito o design do H. R. Giger. Quando tiver uma aparência definida posto umas fotos.

Por enquanto, tratem de experimentar esta versão Precise Pangolin do Ubuntu e aproveitem a superestabilidade garantida por um sólido suporte de atualizações técnicas até 2017. Padrão das versões nomeadas LTS (Long Term Suport).

O verdadeiro objetivo

Algumas pessoas me perguntaram se este Ilustramangá é um blog sobre mangá ou Linux. Concordo que os últimos conteúdos foram dedicados a apresentações e dicas para o sistema operacional do pinguim, mas tudo tem um propósito.

O principal objetivo de falarmos tanto do Ubuntu (uma das opções de sistema operacional GNU/Linux) é somente indicar como opção para o desenvolvimento de ilustrações e quadrinhos: ele é gratuito e tem todos os recursos de que um artista digital precisa. Nem só de Photoshop vive o mundo da ilustração digital e é justamente isso que quero mostrar.

Muitos dos recursos “proprietários” (ou softwares pagos) trazem um custo que pode comprometer uma decisão de ingresso no mercado das artes gráficas. Enxergo o software livre como uma perfeita ferramenta capaz de suprir as necessidades dos artistas gráficos iniciantes e veteranos em todas as vertentes da área. Por isso, mais uma vez, incentivar o seu uso é o meu segundo ensinamento mais importante (o primeiro é o desenvolvimento da paciência). Em doze anos de profissão, os três últimos foram apoiados em ferramentas “opensource” e a experiência não me conferiu a carteira de xenófobo digital, como acontece com muitos profissionais apaixonados por tecnologia. Convivo com o Windows (não na minha máquina) diariamente e procuro conservar meus conhecimentos na manipulação dessa plataforma com o objetivo de sempre aprender com as diferenças e até implementar melhorias de um no outro. Mas não sinto necessidade alguma de voltar a usá-lo.

Também é importante esclarecer que os sistemas operacionais e programas opensource não são melhores pelo fato de serem “de graça”. Essa é a primeira constatação oriunda dos mais acomodados. Acontece que o GNU/Linux tem sua origem no Unix (Assim como os OS da Apple) e são tremendamente estáveis e poderosos. Para se ter uma pequena ideia acerca da segurança do sistema, a estrutura de um GNU/Linux é bastante diferente da estrutura Windows e traz um firewall dentro de seu “kernel” (o núcleo do sistema operacional), por exemplo. Não conheço a estrutura como um profissional de TI, mas o pouco que sei foi suficiente para atestar a superioridade do sistema. Isso, para um profissional da área de design, ilustração e edição, significa desempenho superior quando sob pressões de prazos e qualidade final. Perfeição total? Não. Também não é assim. Tudo no planeta tem sua falha. Só que nunca mais tive problemas com travamento de Coreldraw (original) no meio de uma vetorização de mapa, ou com os famosos “erros fatais” que trazem uma simpática tela azul de presente no meio da noite de trabalho para ser entregue pela manhã.

A aparência importa? SIM!! Claro que importa! Para nós que trabalhamos com criação viver num ambiente que inspire constantemente é o ideal para se obter o rendimento necessário. O já saudoso Steve Jobs provou isso inúmeras vezes. Para tanto o GNU/Linux leva a liberdade de escolha às últimas consequências permitindo que o usuário “desenhe” seu ambiente de trabalho da maneira que quiser e crie personalizações infinitas e (pasme) úteis. Isso sim é beleza e função a serviço do profissional. Isso é design.

Complicado de se acostumar? Nem tanto. Outro dia vi minha esposa quebrando a cabeça para se acostumar com o Windows 7 depois de anos em contato com o Win XP. Eu mesmo observei o Win 7 com bastante curiosidade e constatei que a tal adaptação é bem similar àquela que fui submetido ao mudar de Windows para Ubuntu (na época o 9.04). Isso fortaleceu a teoria de que a resistência de alguns profissionais em experimentar o GNU/Linux é comodismo com doses de preconceito.

E o tal “Terminal”? É completamente risível dizer que a interface gráfica é um recurso indispensável. Pensemos que há pessoas que conseguem digitar este texto sem olhar as teclas (não é o meu caso). Se isto é possível, também o uso de linhas de comando para dar ordens ao sistema deveria ser completamente viável. Digitar três linhas no Terminal (login, senha, comando) resolve problemas do tamanho de “clique aqui para instalar um controle do Active-X” mais “digite aqui a chave do produto obtida na compra”. Três linhas permitem que se instale programas gráficos robustos no GNU/Linux, bem como mover, remover, copiar, colar, habilitar, modificar, entre outras coisas. Digitar linhas de comando é mais fácil do que se pensa e menos dramático do que fazem parecer. Deixe de ser preguiçoso e digite seu nome e uma ordem ao sistema! O resto ele faz sozinho.

E isso é apenas uma pequena demonstração do que se pode fazer no ambiente GNU/Linux. Vamos experimentar as várias ferramentas de ilustração, pintura e desenho à exaustão e inclua nisso os sistemas e softwares opensource. Se você estiver realmente determinado a encarar sua profissão, não vai se arrepender.

Se você usa o Windows para produzir seus trabalhos de ilustração (e não quer abrir mão dele), seja bem-vindo. Este espaço foi criado para ajudar todos os artistas gráficos de todas as plataformas. Apenas peço que não se estapeiem por causa de janelas, pinguins ou maçãs. Ao invés disso enriqueçamos nossas bagagens com as várias experiências em sistemas diferentes.

Mangá profissional

A partir desta postagem, inicio as análises do mangá tradicional e moderno.

Há muito tempo quero desconstruir as orígens e colaborar para que a informação leve a muitos interessados no assunto a conhecer mais profundamente a arte-sequencial japonesa e sua importância enquanto mídia de informação e formação ideológica.

Em nosso país, as raízes dos quadrinhos não se desenvolveram como deveriam. Isso já é sabido. Senão, não escutaríamos por aí a máxima “quadrinho é coisa de criança”. Noutros países, esta é uma respeitada mídia que tem formação superior e gera empregos muito bem remunerados.

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Mas vamos, aos poucos entendendo como funciona o mangá em sua totalidade ou, ao menos, uma boa parte do que há para falar dele.

Entre um texto e outro, dedicarei espaço para dicas de desenho e, assim, cumprir o real objetivo deste Ilustramangá.

Fãs, alheios ao tema, profissionais da área e aspirantes a profissionais, acompanhem.