Maratona de Software Livre de Volta Redonda

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Uma sequência de eventos me concederão o poder de comprovar que se pode trabalhar sem perda de qualidade usando Linux e seus programas de código aberto. O primeiro deles começa agora nesta sexta, dia 29, em Volta Redonda.

A Maratona de Software Livre é um evento que incentiva o uso das distribuições Linux em vários campos da tecnologia. Minha contribuição, por exemplo, será para a computação gráfica. No sábado, dia 30, ministrarei uma longa oficina sobre como se aplicam as ferramentas opensource no dia-a-dia de um estúdio de ilustração e design. Usarei em tempo real os programas Gimp, MyPaint, Inkscape e Scribus para várias tarefas rotineiras de estúdios que usam ferramentas proprietárias para executar as mesmas funções.

Os quatro programas que mencionei são ótimos softwares e minha missão é mostrar que têm poder e complexidade suficiente para praticamente aposentar as caras licenças Adobe, Microsoft e Corel.

As vagas para participação das várias oficinas são limitadas e quem quiser participar deve acessar o link do evento clicando na imagem acima.

Aguardo vocês lá.

Trabalhando com retículas

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O seguinte tutorial pressupõe que os leitores sejam familiarizados com programas de edição de imagens.

Uma das mais importantes técnicas características da estética do mangá, a retícula (ou “screentone”) foi adotada para conter despesas com impressões especiais, nos períodos de crise do pós-guerra. Continua a ser usada nas revistas de grande circulação como Shonen Jump e nas demais de mesmo formato.

Como produzir este efeito nos softwares de edição de imagens? Há duas maneiras: podemos usar padrões prontos (pattern) para aplicação nas camadas, ou (a opção mais profissional) produzir a retícula no próprio programa. Esta última opção permite mais liberdade no manuseio dos gradientes da retícula, sendo, portanto, o meio mais produtivo e de melhor resultado final.

Fazendo uma pesquisa na internet por “screentone pattern” podemos conseguir inúmeros tipos de padronagem à disposição e que podem ser usados conforme a primeira opção (a de aplicar o padrão direto no desenho através das camadas).

Vamos acompanhar o método para produção da retícula direto nos programas:

PHOTOSHOP

1- O desenho deverá estar sob o modo “tons de cinza” (grayscale) para cores e dividido em três camadas: outline, retícula, fundo.

2- A camada de outline deverá ter o branco transparente, portanto, usaremos o efeito “Multiply” para criar a transparência.

3- A camada retícula deve ser preenchida normalmente com as tonalidades desejadas (em cinzas) para a colorização do desenho.

4- A camada fundo deverá permanecer preenchida em branco. Como se fosse nossa folha de papel.

5- Após concluir a colorização em tons de cinza, siga o menu: FILTER>PIXELATE>COLOR HALFTONE.

6- Como estamos trabalhando somente com os tons de cinza, somente as duas primeiras informações interagem com o efeito sobre os tons do desenho. Aplique “Max. Radius 8” e “Channel 45” para ver como o efeito é aplicado, mas brinque com esses valores até se encontrar um resultado agradável ao seu trabalho. Experimente colocar o valor 4 para “Max. Radius”, por exemplo.

GIMP

1- O desenho deverá estar sob o modo “tons de cinza” (grayscale) para cores e dividido em três camadas: outline, retícula, fundo.

2- A camada de outline deverá ter o branco transparente, portanto, usaremos o efeito “Multiply” para criar a transparência.

3- A camada retícula deve ser preenchida normalmente com as tonalidades desejadas (em cinzas) para a colorização do desenho.

4- A camada fundo deverá permanecer preenchida em branco. Como se fosse nossa folha de papel.

5- Após concluir a colorização em tons de cinza, siga o menu: FILTROS>DISTORÇÕES>RETÍCULA

6- Como estamos trabalhando com tons de cinza, as duas primeiras opções da caixa do filtro não terão efeito (SPI de entrada e LPI de saída). As demais opções permitem mais tipos de alteração da retículas que no Photoshop, portanto, brinque com todos os valores e formatos disponíveis como hachuras e retículas em cubo.

Observações:

1- O melhor modo de se trabalhar com retículas é utilizar os dois modos simultaneamente (preenchimento com padrões e geração instantânea). Dessa forma, o trabalho ganha em agilidade.

2- Ao aplicar retículas com células muito pequenas, devemos saber em que formato o material será impresso, ou em que resolução de tela será exibido. A finalidade é evitar o efeito “moiré” (pronuncia-se “muarê”) onde uma ilusão ótica cria ondulações na imagem preenchida por retículas. É sempre bom usar as células (bolinhas) um pouco maiores que as de tamanho mínimo para se evitar este efeito desagradável.

3- Muitas vezes, só por causa do efeito de zoom na tela, durante o trabalho, ocorre um moiré. Aumente o zoom para valores inteiros, no caso do Photoshop, (25%, 50%, 100%) para verificar se o efeito desaparece. Se sim, ignore o efeito na tela e prossiga com o trabalho. A impressão sairá sem o moiré.

Atalhos do Photoshop no Gimp

Essa já é velha para muitos, mas, depois que resolvi experimentar, o rendimento no trabalho aumentou ainda mais. Trata-se de uma questão de adaptabilidade. Trabalhar com o Photoshop há anos podia atrapalhar meu desempenho com o Gimp, e atrapalhou. Era veloz o bastante para dar conta de muitos trabalhos, mas diminuir a velocidade não era um luxo à minha disposição, então. Comecei a editar meus atalhos no Gimp para que se parecessem com os do universo Adobe. Só que instalei o Ubuntu tantas vezes, à procura de testar as distribuições e descobrir uma que fosse a melhor para mim, que cansei de editar todos os atalhos um por um cada vez que instalava o Gimp.

Felizmente, encontrei uma alternativa mais inteligente. Há um arquivo que o próprio Gimp traz em sua instalação que possibilita a alteração de todos os seus atalhos para os moldes do Photoshop como num passe de mágica. Siga a receita de bolo:

1 – Inicie o Nautilus como Root. Para isso, basta abrir um terminal e digitar <gksu nautilus>.

2 – Quando o Nautilus abrir, faça uma busca no diretório etc/gimp/2.0 (Sistema de Arquivos) e encontre um arquivo chamado “ps-menurc”. Ele contém todos os atalhos de Photoshop. Copie.

3 – No mesmo nautilus, abra uma aba (ctrl+t) e navegue até sua pasta de usuário. Ex.: a minha fica em /home/sami.

4 – Use o atalho ctrl+h para que sejam exibidas as pastas ocultas (aquelas que começam o nome por ponto). Procure a pasta “.gimp-2.6” e abra.

5 – Cole o arquivo “ps-menurc” dentro do mesmo diretório onde se encontra o arquivo “menurc”.

6 – Renomeie “menurc” para “menurc-01” só para ter sempre uma cópia de segurança deste arquivo.

7 – Renomeie “ps-menurc” para “menurc”.

8 – Feche o Nautilus Root e o Terminal.

8 – Abra o gimp e confira os atalhos.

Pronto. Tudo está mais confortável e fluindo numa velocidade de trabalho mais produtiva para mim. Ainda acrescento uns dois ou três atalhos de minha autoria para facilitar a jornada: No menu “Editar>Atalhos de teclado” faço uma busca por “Brilho e Contraste” e indico o atalho “ctrl+ç” que facilita a manipulação dos níveis de contraste tão necessários no meu dia-a-dia. Também faço questão de adicionar dois atalhos interessantes como “alt+1” para aumentar campos de seleções e “alt+2” para diminuir.

Olhos no Gimp Paint Studio

O Ramón Miranda mandou ver nesse primeiro tutorial de Gimp Paint Studio. Clique na imagem acima para baixar o .pdf com as várias abordagens técnicas e artísticas sobre o uso dos materiais oferecidos por este pacote super útil que é o Gimp Paint Studio, também criado pelo Ramón.

Arte-final no Gimp Paint Studio

Eis um pouco do meu processo de trabalho no Cederj. Neste vídeo mostro como faço a arte-final de um quadrinho para aulas do projeto E-Tec. O esboço foi feito à lápis e escaneado para, depois, ser finalizado no Gimp Paint Studio. Gosto muito da ferramenta “Tinta” que me lembra perfeitamente um pincel de nanquim e esta customização pelo Ramón Miranda (criador do pacote de customização Gimp Paint Studio) deixou esta ferramenta perfeita para quem trabalha com quadrinhos. Todas as nuances entre espessuras na pressão da tablet são conseguidas com sucesso. Observem como o traço flui e não reparem o desenho feito às pressas, estava com o prazo estourado…