O pulo do gato para arte-final!

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A ferramenta Ink faz o trabalho com quadrinhos desenvolver muito bem!

Uma das ferramentas mais importantes para uso do Gimp na produção de quadrinhos é, certamente, a ferramenta Ink. Ela simula uma pena, ou pincel, para nanquim. No pacote do Gimp Paint Studio, criado pelo amigo Ramón Miranda, a ferramenta Ink ganhou uma dinâmica brilhante para quem arte-finaliza direto por meio digital acelerando o processo de produção.

Ainda assim consegui adequar ainda mais essa dinâmica às minhas finalidades.

Para calibrar adequadamente sugiro que você já tenha o Gimp Paint Studio instalado em seu Gimp 2.8. Para tanto basta entrar neste link e seguir as instruções da própria página do Ramón:

Gimp Paint Studio 2.0 Final – http://www.ramonmiranda.com/2012/07/gps-20-disponible.html

Depois de instalar corretamente a coletânea de pincéis e ferramentas criadas exclusivamente pelo Ramón, escolha a ferramenta Ink e acesse sua variação “Comic Ink”, através do botão “Restaurar configurações de ferramentas” na parte de baixo do painel “Opções de ferramentas”.

Depois basta regular a “Comic Ink” com os seguintes valores:

pulo do gato

E tudo isso ainda pode ser utilizado para criação de novos pincéis, mas isso é assunto para outro post.

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Trabalhando com retículas

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O seguinte tutorial pressupõe que os leitores sejam familiarizados com programas de edição de imagens.

Uma das mais importantes técnicas características da estética do mangá, a retícula (ou “screentone”) foi adotada para conter despesas com impressões especiais, nos períodos de crise do pós-guerra. Continua a ser usada nas revistas de grande circulação como Shonen Jump e nas demais de mesmo formato.

Como produzir este efeito nos softwares de edição de imagens? Há duas maneiras: podemos usar padrões prontos (pattern) para aplicação nas camadas, ou (a opção mais profissional) produzir a retícula no próprio programa. Esta última opção permite mais liberdade no manuseio dos gradientes da retícula, sendo, portanto, o meio mais produtivo e de melhor resultado final.

Fazendo uma pesquisa na internet por “screentone pattern” podemos conseguir inúmeros tipos de padronagem à disposição e que podem ser usados conforme a primeira opção (a de aplicar o padrão direto no desenho através das camadas).

Vamos acompanhar o método para produção da retícula direto nos programas:

PHOTOSHOP

1- O desenho deverá estar sob o modo “tons de cinza” (grayscale) para cores e dividido em três camadas: outline, retícula, fundo.

2- A camada de outline deverá ter o branco transparente, portanto, usaremos o efeito “Multiply” para criar a transparência.

3- A camada retícula deve ser preenchida normalmente com as tonalidades desejadas (em cinzas) para a colorização do desenho.

4- A camada fundo deverá permanecer preenchida em branco. Como se fosse nossa folha de papel.

5- Após concluir a colorização em tons de cinza, siga o menu: FILTER>PIXELATE>COLOR HALFTONE.

6- Como estamos trabalhando somente com os tons de cinza, somente as duas primeiras informações interagem com o efeito sobre os tons do desenho. Aplique “Max. Radius 8” e “Channel 45” para ver como o efeito é aplicado, mas brinque com esses valores até se encontrar um resultado agradável ao seu trabalho. Experimente colocar o valor 4 para “Max. Radius”, por exemplo.

GIMP

1- O desenho deverá estar sob o modo “tons de cinza” (grayscale) para cores e dividido em três camadas: outline, retícula, fundo.

2- A camada de outline deverá ter o branco transparente, portanto, usaremos o efeito “Multiply” para criar a transparência.

3- A camada retícula deve ser preenchida normalmente com as tonalidades desejadas (em cinzas) para a colorização do desenho.

4- A camada fundo deverá permanecer preenchida em branco. Como se fosse nossa folha de papel.

5- Após concluir a colorização em tons de cinza, siga o menu: FILTROS>DISTORÇÕES>RETÍCULA

6- Como estamos trabalhando com tons de cinza, as duas primeiras opções da caixa do filtro não terão efeito (SPI de entrada e LPI de saída). As demais opções permitem mais tipos de alteração da retículas que no Photoshop, portanto, brinque com todos os valores e formatos disponíveis como hachuras e retículas em cubo.

Observações:

1- O melhor modo de se trabalhar com retículas é utilizar os dois modos simultaneamente (preenchimento com padrões e geração instantânea). Dessa forma, o trabalho ganha em agilidade.

2- Ao aplicar retículas com células muito pequenas, devemos saber em que formato o material será impresso, ou em que resolução de tela será exibido. A finalidade é evitar o efeito “moiré” (pronuncia-se “muarê”) onde uma ilusão ótica cria ondulações na imagem preenchida por retículas. É sempre bom usar as células (bolinhas) um pouco maiores que as de tamanho mínimo para se evitar este efeito desagradável.

3- Muitas vezes, só por causa do efeito de zoom na tela, durante o trabalho, ocorre um moiré. Aumente o zoom para valores inteiros, no caso do Photoshop, (25%, 50%, 100%) para verificar se o efeito desaparece. Se sim, ignore o efeito na tela e prossiga com o trabalho. A impressão sairá sem o moiré.

O verdadeiro objetivo

Algumas pessoas me perguntaram se este Ilustramangá é um blog sobre mangá ou Linux. Concordo que os últimos conteúdos foram dedicados a apresentações e dicas para o sistema operacional do pinguim, mas tudo tem um propósito.

O principal objetivo de falarmos tanto do Ubuntu (uma das opções de sistema operacional GNU/Linux) é somente indicar como opção para o desenvolvimento de ilustrações e quadrinhos: ele é gratuito e tem todos os recursos de que um artista digital precisa. Nem só de Photoshop vive o mundo da ilustração digital e é justamente isso que quero mostrar.

Muitos dos recursos “proprietários” (ou softwares pagos) trazem um custo que pode comprometer uma decisão de ingresso no mercado das artes gráficas. Enxergo o software livre como uma perfeita ferramenta capaz de suprir as necessidades dos artistas gráficos iniciantes e veteranos em todas as vertentes da área. Por isso, mais uma vez, incentivar o seu uso é o meu segundo ensinamento mais importante (o primeiro é o desenvolvimento da paciência). Em doze anos de profissão, os três últimos foram apoiados em ferramentas “opensource” e a experiência não me conferiu a carteira de xenófobo digital, como acontece com muitos profissionais apaixonados por tecnologia. Convivo com o Windows (não na minha máquina) diariamente e procuro conservar meus conhecimentos na manipulação dessa plataforma com o objetivo de sempre aprender com as diferenças e até implementar melhorias de um no outro. Mas não sinto necessidade alguma de voltar a usá-lo.

Também é importante esclarecer que os sistemas operacionais e programas opensource não são melhores pelo fato de serem “de graça”. Essa é a primeira constatação oriunda dos mais acomodados. Acontece que o GNU/Linux tem sua origem no Unix (Assim como os OS da Apple) e são tremendamente estáveis e poderosos. Para se ter uma pequena ideia acerca da segurança do sistema, a estrutura de um GNU/Linux é bastante diferente da estrutura Windows e traz um firewall dentro de seu “kernel” (o núcleo do sistema operacional), por exemplo. Não conheço a estrutura como um profissional de TI, mas o pouco que sei foi suficiente para atestar a superioridade do sistema. Isso, para um profissional da área de design, ilustração e edição, significa desempenho superior quando sob pressões de prazos e qualidade final. Perfeição total? Não. Também não é assim. Tudo no planeta tem sua falha. Só que nunca mais tive problemas com travamento de Coreldraw (original) no meio de uma vetorização de mapa, ou com os famosos “erros fatais” que trazem uma simpática tela azul de presente no meio da noite de trabalho para ser entregue pela manhã.

A aparência importa? SIM!! Claro que importa! Para nós que trabalhamos com criação viver num ambiente que inspire constantemente é o ideal para se obter o rendimento necessário. O já saudoso Steve Jobs provou isso inúmeras vezes. Para tanto o GNU/Linux leva a liberdade de escolha às últimas consequências permitindo que o usuário “desenhe” seu ambiente de trabalho da maneira que quiser e crie personalizações infinitas e (pasme) úteis. Isso sim é beleza e função a serviço do profissional. Isso é design.

Complicado de se acostumar? Nem tanto. Outro dia vi minha esposa quebrando a cabeça para se acostumar com o Windows 7 depois de anos em contato com o Win XP. Eu mesmo observei o Win 7 com bastante curiosidade e constatei que a tal adaptação é bem similar àquela que fui submetido ao mudar de Windows para Ubuntu (na época o 9.04). Isso fortaleceu a teoria de que a resistência de alguns profissionais em experimentar o GNU/Linux é comodismo com doses de preconceito.

E o tal “Terminal”? É completamente risível dizer que a interface gráfica é um recurso indispensável. Pensemos que há pessoas que conseguem digitar este texto sem olhar as teclas (não é o meu caso). Se isto é possível, também o uso de linhas de comando para dar ordens ao sistema deveria ser completamente viável. Digitar três linhas no Terminal (login, senha, comando) resolve problemas do tamanho de “clique aqui para instalar um controle do Active-X” mais “digite aqui a chave do produto obtida na compra”. Três linhas permitem que se instale programas gráficos robustos no GNU/Linux, bem como mover, remover, copiar, colar, habilitar, modificar, entre outras coisas. Digitar linhas de comando é mais fácil do que se pensa e menos dramático do que fazem parecer. Deixe de ser preguiçoso e digite seu nome e uma ordem ao sistema! O resto ele faz sozinho.

E isso é apenas uma pequena demonstração do que se pode fazer no ambiente GNU/Linux. Vamos experimentar as várias ferramentas de ilustração, pintura e desenho à exaustão e inclua nisso os sistemas e softwares opensource. Se você estiver realmente determinado a encarar sua profissão, não vai se arrepender.

Se você usa o Windows para produzir seus trabalhos de ilustração (e não quer abrir mão dele), seja bem-vindo. Este espaço foi criado para ajudar todos os artistas gráficos de todas as plataformas. Apenas peço que não se estapeiem por causa de janelas, pinguins ou maçãs. Ao invés disso enriqueçamos nossas bagagens com as várias experiências em sistemas diferentes.

Beleza Amazônica – speedpainting


Mais um da série “speedpainting”. Esse foi feito para homenagear o aniversário de um grande artista: o fotógrafo Otto Weisser que com seu conceito influencia meu trabalho desde os anos 80. Ele tem o dom de capturar a beleza feminina e transformá-la em monumento. Parabéns, mestre!

Meu primeiro “speedpainting”

Já estou terminando de editar uns tutoriais em vídeo para postar aqui. Como teste, compartilho com vocês esse “speedpainting” de uma ilustração que fiz para livro da Fundação Cecierj – Consórcio Cederj. Toda ela foi desenvolvida no Gimp Paint Studio, o vídeo capturado pelo RecordMyDesktop e editado no Openshot, ambos programas opensource que tenho em meu Ubuntu Studio.


Agora que aprendi a gravar e editar alguns vídeos simples começo a montar os tutoriais de ilustração que tanto prometi. Preparem-se! Vou mostrar do que os programas opensource são capazes, mas não esquecerei dos programas proprietários, e pretendo fazer tutoriais em duas versões: como fazer no Gimp – como fazer no Photoshop, por exemplo.

Mãos à obra!

Atalhos do Photoshop no Gimp

Essa já é velha para muitos, mas, depois que resolvi experimentar, o rendimento no trabalho aumentou ainda mais. Trata-se de uma questão de adaptabilidade. Trabalhar com o Photoshop há anos podia atrapalhar meu desempenho com o Gimp, e atrapalhou. Era veloz o bastante para dar conta de muitos trabalhos, mas diminuir a velocidade não era um luxo à minha disposição, então. Comecei a editar meus atalhos no Gimp para que se parecessem com os do universo Adobe. Só que instalei o Ubuntu tantas vezes, à procura de testar as distribuições e descobrir uma que fosse a melhor para mim, que cansei de editar todos os atalhos um por um cada vez que instalava o Gimp.

Felizmente, encontrei uma alternativa mais inteligente. Há um arquivo que o próprio Gimp traz em sua instalação que possibilita a alteração de todos os seus atalhos para os moldes do Photoshop como num passe de mágica. Siga a receita de bolo:

1 – Inicie o Nautilus como Root. Para isso, basta abrir um terminal e digitar <gksu nautilus>.

2 – Quando o Nautilus abrir, faça uma busca no diretório etc/gimp/2.0 (Sistema de Arquivos) e encontre um arquivo chamado “ps-menurc”. Ele contém todos os atalhos de Photoshop. Copie.

3 – No mesmo nautilus, abra uma aba (ctrl+t) e navegue até sua pasta de usuário. Ex.: a minha fica em /home/sami.

4 – Use o atalho ctrl+h para que sejam exibidas as pastas ocultas (aquelas que começam o nome por ponto). Procure a pasta “.gimp-2.6” e abra.

5 – Cole o arquivo “ps-menurc” dentro do mesmo diretório onde se encontra o arquivo “menurc”.

6 – Renomeie “menurc” para “menurc-01” só para ter sempre uma cópia de segurança deste arquivo.

7 – Renomeie “ps-menurc” para “menurc”.

8 – Feche o Nautilus Root e o Terminal.

8 – Abra o gimp e confira os atalhos.

Pronto. Tudo está mais confortável e fluindo numa velocidade de trabalho mais produtiva para mim. Ainda acrescento uns dois ou três atalhos de minha autoria para facilitar a jornada: No menu “Editar>Atalhos de teclado” faço uma busca por “Brilho e Contraste” e indico o atalho “ctrl+ç” que facilita a manipulação dos níveis de contraste tão necessários no meu dia-a-dia. Também faço questão de adicionar dois atalhos interessantes como “alt+1” para aumentar campos de seleções e “alt+2” para diminuir.